Autor: Giovani Chiovatto

  • Descoberta arqueológica: Mel com 3 mil anos é encontrado em tumba do Egito e ainda está próprio para consumo

    Descoberta arqueológica: Mel com 3 mil anos é encontrado em tumba do Egito e ainda está próprio para consumo

    Descoberta arqueológica surpreende especialistas ao revelar a durabilidade do mel e sua importância para civilizações antigas como Egito, Mesopotâmia e Suméria. O produto natural já era utilizado há mais de 8 mil anos.

    Uma descoberta impressionante no Egito está chamando a atenção do mundo científico e do público em geral: arqueólogos encontraram mel com mais de 3 mil anos em perfeito estado de conservação dentro de uma tumba egípcia. O alimento foi identificado em vasos de cerâmica lacrados, e, para surpresa dos pesquisadores, ainda estava próprio para consumo. Esse achado não apenas destaca a impressionante durabilidade do mel ao longo dos séculos, mas também reacende o interesse sobre como os povos antigos usavam essa substância em sua alimentação, medicina e até em rituais religiosos.

    Além disso, há registros que apontam que a coleta de mel remonta a mais de 8 mil anos, o que torna essa iguaria um elo direto entre o presente e as civilizações do passado.

    Segundo os especialistas, a conservação do mel por tanto tempo é possível graças à sua composição química. Apesar do sabor adocicado, o mel possui baixa umidade e um pH naturalmente ácido (entre 3,0 e 4,5), o que dificulta a proliferação de fungos e bactérias. Além disso, durante a produção, as abelhas adicionam uma enzima chamada glicose oxidase ao néctar das flores. Essa enzima transforma o néctar em ácido glucônico e peróxido de hidrogênio — popularmente conhecido como água-oxigenada — que tem ação antisséptica.

    Essas propriedades tornam o mel um dos poucos alimentos com prazo de validade praticamente indefinido, desde que mantido em condições ideais. Foi o que ocorreu com os vasos selados descobertos nas tumbas egípcias, que permaneceram intactos durante milênios.

    O mel não era apenas um alimento no Egito Antigo — ele também tinha funções medicinais e religiosas. Pinturas em relevos datadas do século III a.C mostram trabalhadores egípcios coletando mel de colmeias. Há registros históricos de que Ramsés III ofereceu 21 mil jarros de mel ao deus Hapi, divindade ligada ao rio Nilo.

    A presença do mel em tumbas reais indica que ele também era considerado um bem valioso para a vida após a morte, muitas vezes incluído nos sepultamentos como fonte de alimento no além.

    Mel mais antigo do mundo

    O uso do mel remonta a mais de 8 mil anos. A evidência mais antiga está nas pinturas rupestres da caverna de La Araña, em Valência, na Espanha. A arte rupestre mostra uma figura humana pendurada em cipós tentando alcançar uma colmeia para coletar mel silvestre, retratando a prática de apicultura primitiva.

    Na Mesopotâmia, uma tábua de argila com 4 mil anos, encontrada na antiga cidade suméria de Nippur, traz uma receita medicinal com mel, azeite, água e óleo de cedro, usada no tratamento de feridas.

    Já na tradição cristã, o mel também aparece como parte da dieta de João Batista, mencionado no Novo Testamento. E até em campanhas militares, como a do general cartaginês Aníbal, o mel foi utilizado para alimentar tropas durante a travessia dos Alpes rumo ao Império Romano.

    O mel na medicina chinesa e nas tradições orientais

    Na medicina tradicional chinesa, o mel é classificado como uma substância neutra que atua sobre pulmões, baço e intestinos. Durante a dinastia Zhou Oriental (770 a 256 a.C), o mel era reservado para a realeza e utilizado em pratos sofisticados, incluindo receitas com larvas de abelha.

    Sua versatilidade e valor nutricional sempre foram reconhecidos pelas culturas orientais, o que reforça sua importância universal ao longo da história.

    Mel mais antigo do mundo tem 5.500 anos

    Embora o mel encontrado em tumba egípcia tenha 3 mil anos, o mel mais antigo do mundo foi identificado na Geórgia, em um túmulo próximo à aldeia de Sakire, datado de aproximadamente 5.500 anos. No local, arqueólogos encontraram vasos de cerâmica contendo restos de mel e flores, o que sugere que o alimento era oferecido como provisão para a vida após a morte.

    Essa descoberta é 2.500 anos mais antiga do que o mel encontrado na famosa tumba do faraó Tutancâmon, escavada em 1922.

    Um alimento milenar que atravessa civilizações

    Essas descobertas demonstram que o mel é mais do que um simples alimento — ele é um testemunho da inteligência e do conhecimento dos povos antigos. Sua presença em diferentes civilizações, da Europa à Ásia, passando pelo norte da África e Oriente Médio, revela um legado milenar de uso medicinal, ritualístico e nutricional.

    Além de ser uma fonte natural de energia e antioxidantes, o mel é símbolo de pureza, preservação e conexão com a natureza. Sua resistência ao tempo impressiona e reforça seu valor como um dos alimentos mais completos e duráveis da humanidade.

    A descoberta do mel com 3 mil anos no Egito prova que algumas tradições da humanidade são mais antigas — e mais bem preservadas — do que se imaginava. O mel atravessou eras, reinados e continentes, permanecendo relevante até os dias de hoje.

    Entre seus múltiplos usos, destaca-se não apenas como alimento, mas também como agente de cura, oferenda espiritual e ingrediente de luxo. Seja em rituais egípcios, receitas sumérias, ou na medicina chinesa, o mel se consolida como um elo natural entre passado e presente, mantendo viva a memória de nossos ancestrais.

    fonte: https://clickpetroleoegas.com.br/mel-com-3-mil-anos-e-encontrado-em-tumba-egipcia-e-surpreende-cientistas-ao-manter-propriedades-preservada

  • Compostos de própolis verde mostram potencial contra doenças neurodegenerativas

    Compostos de própolis verde mostram potencial contra doenças neurodegenerativas

    Estudo aponta que substância pode estimular neurônios e ajudar na prevenção de doenças como Alzheimer e Parkinson

    O termo “própolis” está relacionado à proteção e dá nome à substância produzida pela abelha para revestir e higienizar a colmeia, mas que também tem poder antibacteriano para o organismo humano.

    Esses atributos medicinais do própolis são antigos conhecidos da ciência, mas agora uma equipe de pesquisadores da Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto (FCFRP) da USP encontrou uma nova dimensão medicinal envolvendo o própolis verde, que abrange doenças neurodegenerativas como Alzheimer e Parkinson.

    O própolis verde é produzida a partir da resina do alecrim-do-campo (Baccharis dracunculifolia) que as abelhas misturam à saliva e cera.

    Ao analisar seus principais compostos Artepelin C e bacarina, pesquisadores observaram que essas substâncias podem estimular a formação de células do sistema nervoso, aumentar a conexão entre neurônios e reduzir a morte celular.

    Segundo o pesquisador Gabriel Rocha Caldas, os resultados indicam um potencial promissor, especialmente para a prevenção e o controle de doenças neurológicas. “Pode ser explorada em trabalhos futuros, seja por mim ou por outros grupos de pesquisa interessados no potencial terapêutico do própolis verde”, destaca.

    Caldas acredita que a pesquisa investe na valorização de um recurso nacional, já que o própolis verde é uma exclusividade brasileira que pode gerar impactos científicos, econômicos e sociais. Parte desses resultados podem ser conferidos em artigo publicado na edição de novembro de 2023 da revista Chemistry & Biodiversity.

    Função de compostos em ambiente neuronal

    O Artepelin C e a Bacarina foram isolados a partir de própolis verde utilizando uma sequência de técnicas métodos de separação.

    “O processo funciona como uma espécie de ‘peneiração química’: usamos solventes e diferentes métodos cromatográficos para ir separando o própolis em frações menores, até isolar cada molécula pura. É parecido com pegar uma caixa cheia de peças misturadas e ir separando uma por uma até restar só o que você precisa”, compara o pesquisador.

    A partir do isolamento dos compostos, os pesquisadores utilizaram duas técnicas para compreender como o Artepelin C e a Bacarina funcionam dentro do organismo: a modelagem computacional e os experimentos com células PC12 (células de ratos usadas como modelo de estudo de neurônios).

    Modelagem computacional

    Com a modelagem computacional, avaliaram as propriedades físico-químicas dos compostos, como solubilidade, permeabilidade e a capacidade de atravessar a barreira hematoencefálica (membrana seletiva que reveste vasos sanguíneos do cérebro e medula espinhal).

    “Isso ajuda a entender se, teoricamente, essas moléculas poderiam atingir o tecido nervoso em um organismo vivo. Já os experimentos com células PC12 mostraram, na prática, como os compostos atuam em células neuronais”, explica Caldas.

    Para facilitar a entrada do Artepelin C no sistema nervoso, os pesquisadores utilizaram a acetilação, uma modificação química que torna a molécula mais lipofílica, ou seja, com maior afinidade por substâncias como gorduras e óleos.

    Com isso, ela consegue atravessar com mais facilidade a barreira hematoencefálica, que protege o cérebro. A escolha dessa abordagem foi baseada em estudos computacionais, que confirmaram a maior capacidade do composto acetilado de chegar ao sistema nervoso.

    Regeneração de neurônios

    Pelos experimentos com células PC12 foi possível identificar que, após o tratamento com os compostos do própolis verde, as células passaram a formar neuritos, pequenas projeções que futuramente se transformarão em axônios e dendritos (ramificações dos neurônios), indicando o início da diferenciação das células neuronais.

    “Essas estruturas são fundamentais porque é por meio delas que os neurônios enviam e recebem mensagens. Sem neuritos não existe comunicação entre células nervosas”, informa o pesquisador. 

    Além disso, os testes também identificaram o aumento da presença das proteínas sinapsina I e GAP-43, importantes no processo de diferenciação, já que funcionam como marcadores de que o neurônio está crescendo, amadurecendo e formando novas conexões.

    Caldas explica que o aumento dessas proteínas representa a célula entrando em um estado favorável à regeneração, algo muito desejado em doenças neurodegenerativas.

    Outro fator importante na proteção das células neurais observado no estudo foi o potencial antioxidante do Artepelin C e da Bacarina. Os compostos do própolis verde foram capazes de neutralizar moléculas reativas de oxigênio, excessivas em doenças neurodegenerativas. 

    O pesquisador adianta que quadros de enfermidades ativam vias que levam à morte celular programada, ativação que foi reduzida pelos compostos do própolis verde por meio de seu efeito antiapoptótico e evitando, assim, a morte celular. 

    Para Caldas, os estudos mostram o potencial do Artepelin C e da Bacarina na proteção de neurônios em situações de estresse, como ocorre nos estágios iniciais de doenças neurodegenerativas.

    fonte: https://www.canalrural.com.br/agricultura/compostos-do-propolis-verde-mostram-potencial-contra-doencas-neurodegenerativas/